A Atuação na Dublagem

    Existem diversos tipos de atuações e interpretações, e diversos dramaturgos pensadores que estudaram esses diferentes tipos, como Constantin Stanislavski, Jerzy Grotowski, Bertold Brecht, e entre muitos outros. Mas qual as diferenças e semelhanças de seus modos de atuar, com o modo de atuar da dublagem?

    Nos textos teatrais, existem indicações de movimentos, sentimentos e maneiras de como o ator, a iluminação, a sonoplastia e o cenário devem se comportar em uma cena, essas indicações se chamam rubricas. Para Constantin Stanislavski, essas rubricas são informações fornecidas pelo autor não apenas para guiar, mas para fazer parte de um processo criativo do ator, o qual esse processo é de origem endógena, e reflete na vida do seu personagem.

    Na dublagem, o ator tem o roteiro de falas, porém as rubricas se dão por meio dos recursos audiovisuais que já estão presentes no vídeo a ser dublado. Então o processo criativo do ator é por meio de observação minuciosa da já finalizada obra audiovisual em todos os seus detalhes, como ambientação, gestos, sons, feições e entre vários outros. 

    Porém, deve-se tomar cuidado nesse processo criativo, pois devido à menor presença de lacunas nas imagens visuais, a necessidade de usar a imaginação para preenchê-las ao reconstruir uma cena é reduzida. É essencial tomar cuidado para que as representações visuais não se imponham de forma dominante no processo de dublagem. Isso pode prejudicar a capacidade do dublador de criar uma interpretação potente, que se apoia não apenas nas imagens externas, mas também nas imagens mentais internas e na sua própria imaginação. Isso pode resultar na eliminação dos processos criativos e restringindo o ator à simples imitação do material original. O trabalho traduzido deve ter a referência do material original, e parecer-se com o mesmo, mas não se prender à ele, dando a oportunidade de tornar uma obra uma verdadeira "versão brasileira" quando dublada, pois ao se prender ao material original, corre o risco de perder potencia e soar falso.

    A construção de um personagem é feita em dois pilares, o pilar externo por meio da imagem midiática, e o pilar interno, por meio da imagem mental/corporal. O encontro desses dois pilares formam um personagem. Logo o corpo do dublador deve estar em constante trabalho, como uma apresentação teatral, pois se o corpo do dublador estiver em modo de descanso, o pilar interno não estará completo, e não ocorrerá o choque entre os dois pilares, fazendo o personagem se tornar frágil.

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