Entrevista com Roxxy Santana

G- A gente está na entrevista com a Roxxy San'tana, que é uma dubladora trans aqui do Distrito Federal, e provavelmente uma das maiores daqui. Você quer se apresentar um pouco? falar um pouco por cima de você Roxxy?


R- Claro! Tudo bom gente? Eu sou a Roxxy San'tana, sou dubladora já tem uns 8 ou 9 anos, sou conhecida por ser a voz do "Cyno", de Genshin Impact, e do "Daren", o leão do Proerd, esses são os dois maiores personagens que eu peguei. Fiz também uma participação em Urso Dooro, como "Tio Yao", e como "Dragão Azul" no Dragão Naloong.


G- E de onde surgiu o seu interesse na dublagem Roxxy?


R- Cara, é uma coisa que a gente constantemente responde, é bem bacana isso, é uma coisa que faz constantemente lembrar algumas coisas do passado. Desde quando eu era muito "moleca", eu e os meus irmãos gostávamos de ligar a televisão nos desenhos animados, e a gente mutava o áudio do desenho, e a gente gostava de falar por cima sabe? Fazendo vozes encima, pegava os desenhos animados que passavam na época e dublava em cima, e ficava brincando. E aí essa vontade depois do tempo reacendeu, eu estava na faculdade fazendo curso de cinema, e então me retomou essa vontade porque eu estava querendo tirar o DRT para me tornar atriz, e então eu lembrei desses episódios, dessas coisas que a gente fazia e tudo, e me bateu na mente "Cara, eu posso ser dubladora, eu não vou estar saindo do meu sonho de ser atriz, muito pelo contrário, vou estar acrescentando à esse sonho". E desde então comecei a ir atrás do que eu precisava para me tornar, e hoje eu estou aqui dublando, fazendo coisas, foi bem assim.


G- E como você falou sobre sua faculdade de cinema e tudo mais, qual foi a sua formação para ser dubladora, e qual a importância dela para o seu desempenho na dublagem?


R- Eu sou formada em teatro e cinema, então é importante você ter uma formação dentro do teatro, você tirar o DRT. É extremamente importante se você quiser ser ator/atriz, dublador/dubladora, você tirar o DRT, que é meio que a documentação que prova que você pode cumprir aquela função. Então a primeira coisa que você deve fazer é tirar esse DRT e se profissionalizar, é como você se profissionaliza. Então tirem, tem várias formas de você tirar, você pode fazer um curso de teatro que te oferece no final, vá atrás de um curso de teatro que te dê o DRT, não são todos que dão, então é importante você se informar, ou então você pode juntar um portifólio de coisas que você já fez, e apresentar no sindicato de atores da sua cidade ou de qualquer outra, mas você deve apresentar as propagandas, os seus trabalhos, e até cosplay eu acho que entra nisso sim.


G- Mas os seus cursos superiores, você disse que é formada em cinema né? O que esses cursos superiores te ajudaram na dublagem?


R- O curso de teatro assim, "todo dublador é ator, e todo ator é dublador, essa é uma regrinha que a gente tem. (Áudio trava um pouco) Esse curso de teatro serve para questão de você poder se tornar atriz/ator, ele vai te ajudar a te guiar a como você pode usar o seu corpo para atuar, usar sua voz, é o curso básico, a coisa básica. É meio que a "árvore de habilidades" de um jogo, você pega a "classe" dublador, e você vai lá treinar gesticulação, treinar voz, então tudo isso está dentro do teatro também. O curso de cinema é mais para saber editar vídeo, como funcionam câmeras, como funcionam microfones, eles pegam um pouco da base de atuação, mas eles englobam mais o cinema em si. O que é importante também, porque dentro da dublagem é importante a gente conhecer também o equipamento, o que a gente precisa fazer, foi graças ao curso que eu consegui, por exemplo, montar uma cabine dentro de casa. Eu gravo coisa aqui de casa, tem vezes que eu vou para os estúdios, mas quando é coisa Rio/São Paulo, eu gravo da cabine que eu tenho aqui em casa. Então foi todo um estudo sobre qual equipamento eu preciso, como tem que estar a disposição da cabine, essas coisas são importantes de se saber também.


G- E como você falou do teatro, na sua visão, como a atuação no teatro se difere da atuação na dublagem?


R- No teatro, a gente pode usar o nosso corpo a favor, então por exemplo, se for uma cena muda, ninguém falando nada, a gente consegue usar muita gesticulação, o corpo. O Mister Bean faz muito isso, o Chales Chaplin também, de usar o corpo a favor de mandar uma mensagem. Na dublagem é só a nossa voz, então a gente tem que transmitir tudo isso através da voz, então se um personagem está nervoso, (faz voz de nervosismo) "a gente tem que botar negócio aqui", e quando o personagem está feliz (faz voz de felicidade) "botar a voz bem aqui pra cima, assim, feliz!" Então não é que um é mais difícil que o outro, mas são formas diferentes de interpretação, é mais nesse sentido, o que você deve fazer para que as pessoas possam entender o que você está tentando passar aqui nessa cena.


G- E isso que você falou do corpo, eu acho que é muito interessante. Você acha que o seu corpo te influencia na dublagem?


R- É engraçado que tem gente que acha que a gente fica na cabine imóvel, olhando pro nada e "bla, bla, bla bla, bla", e não é assim. É engraçado que tem diretor que quando me vê dublando fala: "Nossa Roxxy, você faz umas caretas". (voz ameaçadora) "Às vezes  eu vou fazer um personagem todo vilanesco e aí eu franzo as sobrancelhas e abro bem a boca para falar, aí a minha cara parece de um monstro". Acaba que ajuda a gente a entrar um pouco no personagem. É muito engraçado, já vi alguns outros dubladores em ação também, e é muita palhaçada, a gente se pergunta "Meu Deus, precisa disso?" e precisa, ajuda sabe? Avaba ajudando a gente.


G- E como é para você o comércio de dublagem no Distrito Federal, quais os prós e as suas dificuldades?


R- A gente sabe que os grandes polos de dublagem são Rio de Janeiro e São Paulo, isso é inegável, mas eu tenho sentido que Brasília tem crescido um pouco mais. Tem vindo bastante coisa para cá, filmes até grandes tem vindo para cá, e é um polo que no momento está em ascensão, tem crescido até que bastante. Acho importante também, um dos motivos que eu ainda não ter ido para São Paulo, Rio é  porque eu quero tentar investir um pouco mais na cidade, quero tentar investir um pouco mais aqui em Brasília. Eu acho importante você estar na sua cidade e tentar, se não como aqui vai crescer como um polo? A gente precisa dar essa ajuda, sabe? Hoje a gente tem o recurso da tecnologia, hoje tem como a gente fazer uma cabine igualzinha a cabines de estúdios em casa, é a forma que eu gravo por exemplo, quando o estúdio me pede, a gente faz chamada, gravo aqui e envio. Então assim, a gente tem que usar a tecnologia ao nosso favor também sabe, eu acho importante isso. Contanto que não comprometa a qualidade, claro, quando você tiver o equipamento, você tem que ter um equipamento bom, um equipamento que vai segurar as gravações. Mas eu acho importante a gente usar a tecnologia ao nosso favor, ela está aí para isso, para a gente usar.


G- E qual a melhor forma de começar a trilhar a carreira de dublador no Distrito Federal?


R- Acho que a primeira coisa é tirar o DRT, porque para você falar "eu sou um dublador, eu sou uma dubladora", você precisa dessa documentação. Então é você tentar tirar, seja fazendo um curso de teatro, ou juntando um portifólio, mas é importante se profissionalizar, porque se a gente trabalha sem se profissionalizar, a gente acaba "queimando" aqui, acaba mostrando que a gente não se importa em se tirar DRT para isso. Eu sei que tem muita gente que fala que não precisa do DRT, mas o mais importante é a documentação, por conta da burocracia, a gente já não está num polo favorável que é Brasília, então é mais um motivo para a gente tentar mostrar que estamos fazendo o trabalho a sério, que a gente está fazendo o negócio direitinho, sabe?


G- Suponhamos que já tenha o DRT, qual o primeiro passo, quem procurar, aonde procurar o comércio de dublagem?


R- É importante ir atrás dos estúdios mesmo, bater na porta, ir e visitar os estúdios, tanto daqui quanto de outro lugar. Como a gente está falando de Brasília, pesquisar, jogar no Google "Estúdios de dublagem em Brasília". Liga para lá, manda uma mensagem, marca um teste. Tem aquela coisa né, "quem é vivo, sempre aparece", então é importante você aparecer e mostrar que você está aqui, usa as redes sociais ao seu favor também, faz um portifólio bacana, juntar conteúdo, mostrar o seu trabalho, ir atrás mesmo, não tem muito segredo.


G- E você acha possível democratizar o comércio de dublagem brasileira? Tirar o a concentração do Rio de Janeiro, São Paulo, e transformar em um comércio bem distribuído nacionalmente?


R- Eu acho que todo lugar tem chance e tem oportunidade, eu acho que tem muito personagem e tem tantas vozes quanto, sabe? Acho que tem espaço para todo mundo participar e entrar na brincadeira por assim dizer. Eu acho sim, inclusive Brasília é um polo que está prometendo bastante pelo o que eu estou vendo, e eu estou muito feliz de poder fazer parte, de poder estar crescendo com o polo, sabe? 


G- A gente está chegando no fim da entrevista Roxxy, você tem alguma coisa mais para falar, algo que você queira dizer, alguma mensagem?


R- Eu queria agradecer a oportunidade de estar aqui, falar um pouco sobre dublagem, eu sempre gosto muito de conversar sobre dublagem, eu acho que é muito importante a gente estar falando sobre isso, principalmente em uma cidade que está crescendo aos pouco sabe? Eu acho que a gente tem sim que comentar, falar sobre dublagem, olhar para o amigo e falar "Você é dublador? Eaí, como é que é?",  ouvir. Poxa, tem tanta gente talentosa na nossa cidade, tem tanta gente que eu já trabalhei, inclusive aqui, que manda tão bem, que merecem uma chance, é importante a gente dar uma chance e esse conhecimento todo, sabe? Então queria agradecer, obrigada por me chamar para falar um pouquinho, é sempre um prazer estar aqui, é sempre um prazer estar nos lugares falando, eu fico muito feliz, obrigada mesmo.


G- Eu que agradeço, obrigado!

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